Atleta do CrossFit Peruíbe vai ao pódio do mundial no Canadá

Foto: Leonardo Vida/CrossFit Peruíbe

DIEGO PALMA

O atleta de Peruíbe, Cassio Dutra, de 30 anos, foi o primeiro brasileiro a conquistar o terceiro lugar no Campeonato Mundial de CrossFit Adaptado para cadeirantes. Ele passou por duas seletivas no primeiro semestre desse ano: o Open e o Regionals. O mundial de CrossFit aconteceu em Collingwood, no Canadá. Dutra sofreu um acidente de carro em 2015 e perdeu o movimento das pernas.

Comerciante, ele mora em Itanhaém. Mas é treinado pela educadora física, especializada em CrossFit, Jéssica Matias, na academia The Rúbia Studio, de Peruíbe.

O paratleta contou em entrevista ao jornal O Repórter que já praticava artes marciais. Era praticante de jiu-jítsu e judô, mas em 2013, sua vida mudou completamente. Ao entrar na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, seu veículo foi atingido na parte de trás. Por conta do impacto, o carro capotou e ele foi arremessado para longe. Dutra nos contou que sentiu a coluna quebrando, com o impacto que teve ao cair no meio da rodovia.

“Acho que foi uma tentativa de assalto. Acordei no meio do asfalto e já não senti as minhas pernas.” disse o paratleta. O acidente aconteceu uma semana antes de disputar o Pan-Americano.

A mudança brusca que sua vida tomou, não afetou em nada a rotina esportiva de Dutra. Após uma recuperação rápida, ele conta que ganhou títulos já no primeiro ano em que voltou a lutar. “Fui campeão brasileiro e mundial pela Confederação Brasileira Paradesportista de Jiu-jítsu.”

Seu encontro com o CrossFit foi em 2015, quando ele foi convidado para participar da feira Arnold Classic Brasil. “Me acharam pela internet e me chamaram. Eles estavam precisando de algum deficiente para fazer alguns exercícios e eu fazia os funcionais, em Itanhaém. Aí eu resolvi ir.”, completou Cassio.

Quando chegou ao evento, ele percebeu que era totalmente diferente do que  imaginava e gostou do que tinha visto. Porém,  como não havia nenhum box (local onde eles treinam) próximo a sua casa, acabou ficando sem praticar a modalidade.

Em novembro do ano passado, Cássio conheceu o The Rúbia Studio, em Peruíbe, do publicitário Leonardo Vida e da fisioterapeuta Rúbia Santinho.

IDA AO MUNDIAL DE CROSSFIT

Adaptado ao esporte, o paratleta resolveu participar de sua primeira competição, pela categoria iniciante. Sabendo da decisão de Cássio, Vida resolveu conversar com o paratleta para ele participar do mundial adaptado. Segundo o publicitário, se o Cassio queria se inscrevesse na categoria iniciante ele não conquistaria vaga para nenhuma competição internacional.

Tomada a decisão para tentar conseguir a vaga no mundial de Callingwood, no Canadá, na categoria RX (elite do CrossFit Adaptado), Cássio teria que passar por três seletivas, antes de ir para o exterior.

A primeira delas, que aconteceu em fevereiro, é online e chamada de Open. Nessa fase, ele tem que enviar um vídeo aos organizadores – nos EUA -, que não pode ser editado em nenhum momento, e fazer uma sequência de exercícios predeterminadas pelos juízes. Para se classificar, Cassio tinha que ficar entre os 10 primeiros colocados. Ele conseguiu a nona posição, de 60 atletas. Caso alguma exigência fosse descumprida, o paratleta seria automaticamente desclassificado.

A segunda etapa são os Regionals, que acontecem no final de abril e começo de maio. Os dez melhores atletas gravam novamente um vídeo e o enviam para a central, para a validação e para disputar a classificação do mundial.

Todo o processo de seleção do CrossFit Games é realizado online, por conta do grande número de atletas que participam da modalidade. Seja ela adaptada para cadeirantes ou não. Outro fator importante, é que durante a gravação dos vídeos um juiz supervisiona e manda o atleta refazer o movimento caso ele o execute de maneira errada.

A classificação de Cassio saiu no dia 26 de maio. Ele se qualificou em sexto lugar. Como houve desistências, Cássio acabou subindo para a quarta posição.

PROJETO CANADÁ 2017

Para chegar ao Mundial, Cássio, Rúbia e Leonardo desenvolveram várias ações. Conversaram com marcas para conseguir doações para sorteio, falaram com as pessoas para participarem de rifas, foram até as empresas para conseguir patrocínio e doações dos donos. O patrocínio das marcas acabou não saindo, mas tudo deu certo.

Leonardo nos contou que faltando uma semana para a viagem ao Canadá acontecer, eles conseguiram o apoio da casa de câmbio Advanced Corretora. Ela deu toda a parte de alimentação, locação do carro em moeda local e ajudaram na taxa de câmbio da moeda, segundo Leonardo. “Os dois prefeitos [de Itanhaém e de Peruíbe] e a vereadora Milena foram fundamentais para que tudo saísse do papel”, completou o dono da academia.

Segundo Leonardo, o custo desse “Projeto Canadá” ficou em torno de R$ 30 mil reais.

UMA CONQUISTA COM SUPERAÇÃO

Com tudo resolvido, Cássio e o casal proprietário da academia foram ao Canadá, onde ele disputou o mundial nos dias quatro e cinco de julho. Competiram no Mundial todos contra todos. Ganhava aquele que fazia o percurso em menos tempo.

As provas do Mundial são chamadas de WODs (Workout Of the Day). Em português, Treino do Dia. No primeiro dia de competição foram duas provas, no segundo três. No primeiro dia Cássio correu 3km com a cadeira de rodas, fez flexões de braços e fez uma prova de levantamento de peso, porém, conforme ele completava a tarefa, o peso aumentava. No segundo dia ele tinha que queimar três calorias na bicicleta, prova de Strong Man e arrastar um trenó de 50 kg por 15 metros.

Na somatória dos resultados, Cássio ficou com o terceiro lugar e foi para o pódio.

Quando questionado sobre a sensação de estar no pódio depois de passar tudo isso, Cassio diz absorver o aprendizado. “Eu sempre tive um sonho (de competição internacional) que eu nunca consegui realizar andando, mas numa cadeira de rodas eu consegui. Deus mostrou para mim que é possível fazer tudo aquilo que eu quero, independentemente da condição física.”

Para o futuro, ele quer conseguir o primeiro lugar no mundial de CrossFit adaptado.

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