Filha de ‘Xuxa dos panfletos’ conta história de sua mãe

Arquivo Pessoal / Linda Baido
Foto-legenda publicada em jornal de 1958, quando Lara tinha 20 anos. (Arquivo Pessoal / Linda Baido)

Faleceu no último dia 08 em Peruíbe, aos 76 anos, Lara Baido, conhecida popularmente em Peruíbe como Xuxa. Segundo a certidão de óbito, Lara morreu de pneumonia, problemas cardíacos e desnutrição.

O jornal O Repórter Regional entrou em contato com sua filha, Linda Baido. Questionada sobre os boatos sobre a morte da mãe no Facebook, ela afirmou que não sabe. “Na minha opinião, ela levou o final de sua vida se martirizando.”

Inicialmente, em seu perfil na rede social, ela afirmou que recebeu uma mensagem dizendo que sua mãe foi agredida entre o dia 1º e o dia 2 e que ela estava ‘entubada’, respirando por aparelhos e com água nos pulmões.

De acordo com a polícia, não foi feito nenhum boletim de ocorrência sobre esta morte.

Após a notícia, familiares se mobilizaram para visitá-la na cidade, mas ela não resistiu. Depois do fato, que ganhou grande repercussão na internet, os moradores de Peruíbe foram surpreendidos ao saber do passado de Xuxa, que era conhecida por entregar panfletos na cidade.

Linda contou que sua mãe nasceu em Bolonha, na Itália, falava espanhol, português e italiano, foi vedete (cantora e dançarina em musicais), atriz de teatro e atuou em três filmes nacionais, entre eles “Pequeno por fora” em 1960.

Foi eleita em 1958 ‘miss super’ no Supercampeonato do clube Vasco da Gama (RJ) e princesa Koleston também em 1958. Atuou em vários programas da TV brasileira, sempre como atriz e vedete.

Mudou para Peruíbe, se casou com o Dr. Othoniel de Almeida. De acordo com sua filha, ‘seu grande amor pra toda vida’.

Ele era dono da fábrica de palmitos ‘Gostoso’ e do ‘Sitio Casqueiro’ onde hoje é a reserva da Jureia. “O governo tomou suas propriedades que eram legais e documentadas, para criar a reserva ecológica da Juréia. A indenização devida nunca foi paga pelo governo e em 1987, Othoniel foi assassinado”, conta.

Ela diz que desde então, Lara Baido nunca mais foi a mesma. “A tristeza e a amargura tomou conta. E ela quis viver o resto da vida nas terras de seu grande amor até o fim de sua vida”, desabafa.

Deixou duas filhas: Linda Baido Cavalcanti e Tulla Baido Doherty e netos.

Lara nunca aceitou ir embora de Peruíbe, nem à pedido de sua filha, que vive atualmente em Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA). “Ela talvez tenha sido a mulher que mais amou Peruíbe em toda a história da cidade.”

Antes de conhecer Othoniel de Almeida, ela conta que sua mãe teve um relacionamento no Rio de Janeiro com o oficial do exército, Manoel Pereira Oliveira Cavalcanti, e deste relacionamento ela nasceu.

Depois disso, ela foi para São Paulo com Almeida e deste relacionamento nasceu a outra filha: Tulla Baido de Almeida, sete anos mais nova que Linda. “Um relacionamento de amor e ódio, de idas e vindas. E aos poucos, de tanta paixão foi perdendo a noção da realidade.”

As duas filhas passavam todas as férias escolares em Peruíbe devido aos negócios de Almeida no município. “E após a trágica morte dele, assassinado, minha mãe entrou em um mundo ilusório e imaginativo. Não querendo aceitar a realidade e acreditando que ele estava vivo e que voltariam a ficar juntos e felizes em Peruíbe.”

Linda conta que sua mãe morou por um tempo com a outra filha em São Paulo, depois morou com ela em Peruíbe e por mais que tentaram, não conseguiram levá-la com elas.

“Ela preferiu entregar sua vida a este amor que ela denominava ser a missão de sua vida. Na minha opinião, ela se martirizou e hoje eles se encontraram naquela noite da sua passagem onde todos os raios e os ventos anunciaram que estava concluída sua missão. Enfim, esta é uma história verdadeira, bonita e triste.”, conclui.

Matérias relacionadas